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17/07/2017  | Pesquisa

FDA pode liberar primeira terapia gênica contra leucemia

Terapia CAR-T modifica células T para combater o câncer

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Um painel da Food and Drugs Administration (FDA), agência reguladora americana equivalente à Anvisa, recomendou, de forma unânime, a aprovação do primeiro tratamento de engenharia genética contra leucemia, a terapia celular CAR-T. A ideia por trás da técnica é modificar as células do paciente para potencializar a ação de seu sistema imune contra a doença.

Se a recomendação seguir a diante, o tratamento será a primeira terapia gênica a chegar no mercado, pela Novartis, para tratar leucemia linfoide aguda (LLA). A recomendação foi dada pelo Comitê de Drogas Oncológicas do órgão e se aprovado no FDA em outras instâncias, o tratamento poderá ser liberado para uso em outubro.

A terapia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O paciente tratado pelo protocolo tem suas células T extraídas do sangue, congeladas e então enviadas para o laboratório onde são geneticamente modificadas para atacar as células cancerígenas, mais especificamente a proteína CD19, presente na superfície de células B do sistema imunológico e alteradas na leucemia. As células modificadas são reintroduzidas no paciente por infusão.

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Teste clínicos têm mostrado resultados animadores, com remissão completa. Porém, em estudos clínicos anteriores, muitos pacientes faleceram antes que a engenharia genética pudesse ser concluída, mas a Novartis afirma agora que esse período foi reduzido para 22 dias.

“Se chegar realmente ao mercado, esta seria a primeira terapia 100% individual contra o câncer e abriria caminho para uma nova era na medicina”, comenta Juliane Musacchio, hematologista do Grupo Oncologia D’Or e coordenadora de transplantes de medula óssea no Hospital Quinta D’Or.

O tratamento seria inicialmente aprovado para o tratamento da LLA de células B refratária ou em recidiva, em crianças e adultos jovens. A doença é o câncer mais comum na infância, correspondendo a um terço de todos os tipos de neoplasias nessa faixa etária. “O tratamento beneficiaria muitas pessoas, as quais não apresentam resposta aos medicamentos atualmente disponíveis para uso”, completa Musacchio.

Cautela

Ainda assim, o tratamento apresenta efeitos colaterais graves, como hipertensão, elevações significativas das citocinas, que podem levar a um quadro de febre, hipotensão arterial, alterações neurológicas e sensação de mal-estar e dispneia, algumas das quais requerem tratamento, incluindo corticoides, que também apresentam efeitos colaterais.

Em um estudo com 30 crianças e adultos com LLA refratária ou em recidiva tratadas com CAR-T, ocorreu uma síndrome de liberação de citocinas em todos os pacientes. Entretanto, essa reação foi grave em 27% e respondeu ao tratamento com o anticorpo do receptor anti-interleucina-6, o tocilizumabe. Apesar disso, uma remissão completa foi alcançada em 90% dos pacientes, com uma sobrevida livre de eventos de 67% e sobrevida global de 78%.

Musacchio é otimista quanto à terapia, mas aponta que ainda é necessária cautela. “Será preciso um maior acompanhamento para melhor elucidar a eficácia e a toxicidade a longo prazo. Porém, não há dúvidas de que essa pode ser a única chance de cura para os pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais para doenças como a leucemia aguda.”

Além da LLC, a terapia pode ser usada, no futuro, para tratar outras doenças oncohematológicas. Estudos mostram resultados promissores em pacientes com leucemia linfocítica crônica (LLC) em recidiva e em refratariedade. Há ainda ensaios em curso com linfomas e mieloma múltiplo, além de tumores sólidos, como câncer de mama, pulmão, pâncreas e sistema nervoso central.

 

Por Sofia Moutinho

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