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12/09/2017  | Oncologia

Quanto custa desenvolver drogas contra o câncer?

Estudo estima que os investimentos de grandes farmacêuticas em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos contra o câncer são bem menores do que se pensava

Por Sofia Moutinho

Não é fácil estimar o custo de P&D por trás de medicamentos. Para as drogas contra o câncer, as estimativas sempre rondaram a casa dos bilhões de dólares, o que servia de justificativa para os altos preços de venda após a aprovação. Mas um estudo publicado esta semana na JAMA Internal Medicine estima que o custo de levar um medicamento oncológico ao mercado seja bem menor, por volta de 648 milhões de dólares para uma média de 7 anos de desenvolvimento.

O número vem de uma análise de 10 drogas aprovadas nos EUA entre 2006 e 2015, o que representa 15% das aprovações de medicamentos oncológicos no período.  As companhias farmacêuticas publicam relatórios anuais com os investimentos feitos em P&D, mas geralmente não discriminam os gastos com cada droga específica desenvolvida. Por isso, o estudo se debruçou apenas em empresas que lançaram uma droga oncológica. Entre os medicamentos analisados estão drogas para cânceres raros, como linfoma de células do manto (LCM) e carcinoma medular de tiroide, além de leucemias e mielofibrose.

Os pesquisadores, o oncologista Sham Mailankody, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, e o hematologista . Vinay Prasad, da Oregon Health and Science University, olharam para os documentos da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos. Os valores encontrados foram de 157 milhões a 1,95 milhões de dólares. Já os lucros obtidos após as aprovações foram até 10 vezes maiores que os investimentos.

Alguns dos medicamentos analisados geram lucros significativos mesmo tendo um mercado nem específico e pequeno. Como o caso do inibidor de tirosina quinase Ponatinibe (Ariad Pharmaceuticals), que gerou lucro de mais de 5 bilhões de dólares desde a aprovação. A droga foi inicialmente aprovada nos EUA para pacientes com leucemia mieloide crônica resistentes ao tratamento de primeira linha. No entanto, entre 24 e 48% dos pacientes tomando a droga em estudos pilotos apresentaram tromboembolismo. O medicamento foi retirado do mercado e reintroduzido meses depois com indicação para leucemia mieloide crônica com mutação T315I ou resistente a outros inibidores de tirosina quinase (imatinibe, dasatinibe, nilotinibe, and bosutinibe). Os preços do remédio só subiram nesse meio tempo, chamando inclusive atenção do Congresso americano.

“Nosso estudo mostra que em um período curto os custos de desenvolvimento são mais do que recuperados, com algumas companhias tendo lucros 10 vezes maiores que os gastos com pesquisa e desenvolvimento, uma soma raramente vista em outros setores da economia”, diz Sham Mailankody. “É importante ter transparência nesses valores quando discutimos custos de medicamentos.”

O estudo confronta dados de estudos anteriores, como o do relatório da instituição privada Tufts Center for the Study of Drug Development, que estimava em $2,7 bilhões de dólares a média de gasto para P&D de medicamentos oncológicos nos EUA.

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